ELA
- 25 de ago. de 2019
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A pessoa que mais amo chorou como nunca no dia de hoje, neste dia, o dia mais horrível da minha vida. Eu vi com estes meus olhos toda uma vida de luta transformar-se em lamentos, vi a construção de uma guerreira se transformar em um cordeiro, tudo por conta dessa doença, a doença maldita que está consumindo a vontade de viver da pessoa que eu mais amo.
Nunca fui feliz, nunca busquei isso também, sempre fui acomodado e a tristeza é parte de mim, porém, nunca foi do feitio dela. Ela é amor, sempre foi, cuidadosa como nunca vi outro ser, a característica de se doar para os outros -típica das mães, é verdade- sempre foi presente nela, menos hoje, hoje tudo que ela via era cinza, nada que eu falasse ou fizesse fazia alguma diferença. A sensação de impotência é a pior de todas.
A força motora para mim, neste momento, é ajuda-la, como nunca ajudei a mim mesmo, a vontade que nunca demonstrei de querer viver é a que tento passar para ela, uma mistura de hipocrisia e desespero, típica de um filho, neste caso. A depressão a consumiu de um modo que me dá medo pensar nos próximos dias, me dá náuseas pensar no pior, esse pior que um dia eu já pensei, para mim, mas comigo tudo bem, já com ela não, isso não pode acontecer.
O pessimismo agora dá lugar ao otimismo, que controverso pensando em mim, mas tudo bem, a vida tem dessas coisas, tudo para poder vê-la melhor. Se for preciso mentir pra mim mesmo para salvá-la, eu o farei, até mesmo inventarei um propósito para esta minha vida, eu nunca tive um, o de ajudar alguém que amo faz todo sentido, é um bom propósito. Os mais sádicos dirão que é egoísmo meu? Não estou nem aí, essa doença não vai levar minha mãe.



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