Suicídio Social
- 2 de dez. de 2017
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Acordei mais uma vez com ela na cabeça, há meses não consigo esquecê-la, me arrumo para o trabalho pensando nela, caminho pensando nas mil possibilidades de fazer acontecer o improvável e no final sempre acabo repetindo a mesma frase a mim mesmo: ‘’ cara, esquece, você não é corajoso e muito menos bonito, aproveite seu tempo para focar em coisas certas’’. Essa coisa aqui é uma lástima, parece que cada dia que penso nela o volume desse monstro que habita em mim cresce, o monstro da ilusão e da verdade, parece loucura, mas esse monstro me ilude e me adverte ao mesmo tempo, é horrível.
A metade do meu tempo é dedicada a projetar em minha mente o nosso futuro perfeito, dedico a isso muito tempo e determinação, seria tudo perfeito. Em certo momento começo a me alertar, penso que não há jeito para essas incertezas, que vou sempre ficar na dúvida, talvez ela deve-se fazer algo, mas daí eu penso: ela vive na mesma linha engenhosa que eu? É claro que não.
A maneira que como eu e vários outros lidam com essa realidade não é saudável, é um suicídio social, quando ela está perto nenhum ser vivo me interessa, a filosofia que consumo não funciona mais, a política fica chata e eu até suprimo minhas opiniões – algo inimaginável quando estou fora dessa matrix que ela causa em mim – isso não pode ser certo, o único ser que me interessa neste momento é ela, eu faria qualquer coisa para ver aquele sorriso direcionado a mim, ainda bem que sei que Deus não existe, ele seria o ser mais sádico deste universo em expansão.
Eu sei que quando estou perto dela e sinto que nada vai acontecer eu começo a ficar mal, respondo mal a quem gosta de mim, minhas ações vão para um local que não costumam ir, me envergonho, aos poucos sinto que alimento esse monstro dentro de mim, e que em determinado momento ele irá sair para fora e tomar meu corpo para si, nesse momento ninguém irá me tolerar, irei transformar-me em um monstro, que passará a murmurar algo que ninguém mais entende: ‘’ eu a amo!’’.



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