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O Sol na cabeça de Geovani Martins

  • 30 de jul. de 2019
  • 2 min de leitura

Acabei de ler, em uma “amostra grátis” no site da companhia das letras, o primeiro conto do compilado denominado de “O Sol na cabeça” do autor Geovani Martins, publicado pela mesma. O conto se chama “Rolezim” e foi um choque logo de cara. Um palavrão para cá, outra gíria pra lá e de repente eu já estava perdido, com toda certeza essa foi a narrativa mais despida e corajosa que já tive contato, ela é regional mas ao mesmo tempo conversa com todos, ela é nitidamente escrita por um suburbano carioca, mas é capaz de tocar o suburbano de qualquer lugar deste longo país.

Geovani parece não se ligar para qualquer convenção literária, foda-se (seria, com certeza, a resposta dele para uma coisa dessas), o autor não se limita, não se esconde, é o que é, e isso é maravilhoso. Geovani não tem formação acadêmica de Letras ou Literatura, é simplesmente um autodidata, um cara com uma oitava série e um mundo em palavras, não tirou um pingo de sua essência, sua obra é uma construção dele mesmo. Infelizmente li apenas o primeiro conto – não tive coragem de piratear, autores brasileiros me despertam este ímpeto – e por isso não li mais, mas a vontade ficou.

Foi interessante perceber logo de cara que mesmo sem querer, possuí ao longo dos anos como leitor uma certa ‘’elitização’’ da leitura, sem querer, eu fui me distanciando da linguagem simples, a qual Geovani representa, por isso levei o choque, as palavras exuberantes e chamativas que se escondem da nossa linguagem comum, deram lugar a gírias regionais e totalmente identificáveis, e eu percebi que isso é maravilhoso, não só porque é capaz de mostrar um ponto de vista totalmente ignorado - o de um favelado -, como tem o poder de servir como um motor comunicativo para aqueles que tratam a leitura como um tabu, o garotinho que pegar O Sol na Cabeça para ler, vai dialogar com o seu cotidiano, daí, a literatura cuida do resto.

Agora é trabalhar para ter meu exemplar na prateleira.


 
 
 

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